95b: a nova fronteira da tecnologia que está redefinindo padrões

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A sigla 95b aparece cada vez mais em relatórios técnicos e conversas de corredor. Não se trata de um modelo de smartphone ou de um código de barras. É a designação de um protocolo de comunicação industrial que, nos últimos dezoito meses, saltou dos laboratórios para as linhas de montagem. A primeira fábrica a adotá-lo em larga escala foi uma unidade de autopeças em Betim, Minas Gerais. Em novembro passado。a linha de estamparia passou a operar com 95b em todos os sensores de pressão. O resultado?Uma redução de 37% nas paradas não programadas. Números assim explicam por que o 95b virou assunto.O que diferencia o 95b de outros padrões é a capacidade de transmitir dados e energia pelo mesmo par de fios. Isso parece pouco, mas elimina a necessidade de cabeamento adicional em ambientes explosivos. Em uma refinaria em Camaçari, a equipe de manutenção relata que a instalação de válvulas com 95b levou dois dias。contra três semanas no sistema anterior. "A gente brinca que o 95b é o Wi-Fi da indústria, mas com a confiabilidade de um cabo", diz um engenheiro de automação que prefere não se identificar. O setor de óleo e gás já responde por 42% das patentes registradas envolvendo o protocolo.A adoção do 95b não é consenso. Pequenas empresas alegam que o custo de migração ainda pesa. Um fornecedor de componentes para máquinas agrícolas em Ribeirão Preto calcula que substituir os controladores antigos por versões compatíveis com 95b custaria 18% do faturamento anual. "Para quem tem margem apertada, o 95b é um luxo", desabafa o dono. Esse gargalo, no entanto。

começa a ser atacado por fabricantes chineses que lançaram módulos de baixo custo no segundo semestre. A expectativa é que o preço caia 30% até o fim do próximo ano.Enquanto a briga por custos acontece, o 95b avança em nichos improváveis. Uma startup de Curitiba desenvolveu um sistema de irrigação de precisão que usa o protocolo para monitorar a umidade do solo em tempo real. Os testes em uma fazenda de soja no Paraná mostraram economia de 22% no consumo de água. O dado chamou a atenção de cooperativas agrícolas. "O 95b resolveu um problema que a gente arrastava há anos: a falta de padronização entre sensores de marcas diferentes", conta a agrônoma responsável pelo projeto. A simplicidade do 95b — dois fios, sem polaridade — facilita a vida no campo.Há também um movimento de padronização internacional em curso. O comitê técnico da IEC que cuida do 95b se reúne trimestralmente, e a próxima revisão deve incluir requisitos de segurança cibernética. Especialistas apontam que a ausência de autenticação nativa é o calcanhar de Aquiles do protocolo. Um estudo da Universidade de Campinas identificou vulnerabilidades em implementações comerciais do 95b que permitiriam a injeção de comandos falsos. A correção deve sair em forma de emenda até 2025. Até lá, recomenda-se segmentar redes e usar gateways dedicados.

O mercado de trabalho também sente o efeito. Cursos técnicos em automação industrial já incluíram o 95b na grade curricular. Em uma escola técnica de Contagem, os alunos passam duas semanas montando bancadas com o protocolo. "Antes a gente ensinava Profibus e Foundation Fieldbus. Agora o 95b é obrigatório", diz o coordenador. A procura por profissionais com experiência em 95b cresceu 65% nos últimos doze meses, segundo dados de uma plataforma de recrutamento. Salários iniciais para técnicos certificados giram em torno de R$ 4.500.A trajetória do 95b lembra a de outras tecnologias que começaram restritas e depois se popularizaram. A diferença é a velocidade. Em dezoito meses, o protocolo saiu de 3% para 19% de participação nas novas instalações industriais no Brasil. Se mantiver o ritmo, deve ultrapassar o padrão legado em três anos. O que ainda falta é uma massa crítica de fornecedores nacionais. Enquanto isso, o 95b segue como uma promessa que já entrega resultados — e que ninguém no chão de fábrica quer deixar de lado.

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